Em dez dias, mais um funkeiro é assassinado na Baixada Santista. Desta vez, foi MC Careca. Outro MC faz apelo no Twitter e diz que também foi ameaçado
 
Mais um funkeiro assassinado. MC Careca, batizado como Cristiano Carlos Martins, é a quinta vítima em 3 anos, a segunda em de dez dias. Ele foi executado a tiros dentro de um salão de cabeleireiro onde trabalhava no bairro de Castelo, em Santos, litoral paulista. Um homem não-identificado já chegou atirando, perseguiu-o e fez os disparos contra a sua cabeça. Mas poupou dois outros funcionários do comércio, que agora virarão testemunhas do caso.

Em qualquer país decente, estaríamos diante de um escândalo. Se isso lhes incomodam, esqueçam as músicas que eles fazem – afinal, a cultura jamais poderia ser uma sentença de morte! Mas não faz sentido que outro artista da periferia seja assassinado e o caso vire mais uma investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil paulista. É para este departamento que vão os crimes de autoria desconhecida, aqueles sem personalidades envolvidas e que, na maioria das vezes, atinge o brasileiro sem posses.

Nesta segunda-feira emenda de feriadão Dia do Trabalhador, uma passeata está sendo (foi) convocada para o meio-dia no vão livre do Masp. Funkeiros, produtores culturais, amigos e parentes desses jovens pedem, simplesmente, paz. (Veja aqui o vídeo-manifesto) E desde sábado, quando MC Careca foi morto, os fãs do funk agitam as redes sociais com a hashtag #FunkPedePaz.

Em 19 de abril, Jadielson da Silva Almeida, o MC Primo, foi assassinado em São Vicente. Eduardo Antônio Lara, o Duda do Marapé, de 27 anos, foi assassinado com nove tiros em abril de 2011. Felipe Wellington da Silva Cruz, o MC Felipe Boladão, e Felipe da Silva Gomes, o DJ Felipe da Praia Grande, ambos de 20 anos, foram mortos na Praia Grande, em abril de 2010. MC Careca é só mais um?

Talvez não seja só mais um, como também pode ser que outros virão. MC Léo da Baixada está com medo. Em seu Twitter, ele declarou, quase pedindo socorro às autoridades policiais: “Nao sei se é brincadeira ou algo do tipo, mas ligaram no meu telefone de contato pra show e fizeram a mesma coisa que fizeram com o Careca!”, “Minha Familia está desesperada, por favor se for brincadeira PAREM, por favor!!!”, “Ainda não descobri NADA de quem ligou, nem se é brincadeira ou verdade o que estão fazendo, Não quero ser mais um, e nem perder um amigo!!!” e “Estou tomando todos cuidados e providencias, pra estar SEMPRE ao lado de voces que me querem bem! #AmoVoces”.

A Baixada Santista, celeiro do movimento funk em São Paulo, está com medo. Pode-se, muito facilmente, relacionar o envolvimento desses artistas com o Primeiro Comando da Capital, as drogas, a violência urbana. Por exemplo, lê-se na Tribuna de Santos, jornal que tem feito os registros das mortes de funkeiros, que MC Careca havia feito dupla com Jonas Junior, o Pixote, e que este foi preso em 2006 por tripla tentativa de homicídio duplamente qualificada e formação de quadrilha. Pixote também foi condenado em 2010 a 43 anos de prisão por ser um dos responsáveis pelo atentado do PCC, em maio de 2006, em uma delegacia de Cubatão.

E isso justificaria o extermínio de funkeiros? Não, não justifica.

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