Pela primeira vez na história, uma gravadora promete a reedição integral da obra do “rei do baião”, que manteve atividade fonográfica de 1941 ao ano de sua morte, 1989.
Após uma demora de cem anos, a efeméride será responsável pela façanha: a gravadora multinacional Sony Music, dona do acervo da extina RCA Victor, anuncia que relançará em CD, até o final de 2012, a íntegra da obra do “rei do baião”, o pernambucano Luiz Gonzaga, que completaria 100 anos em 13 de dezembro próximo, se estivesse vivo.
Como é comum entre artistas de sua geração (ele estreou em disco em 1941), Gonzagão deixou caudalosa obra gravada – e jamais recuperada em toda sua extensão (e importância), seja pela gravadora em que passou praticamente toda a vida artística, seja pela atual detentora daquele acervo.
Em 1996, a BMG, então dona do catálogo da antiga RCA, editou uma caixa abrangente com três CDs, batizada 50 Anos de Chão – Gravações Originais 1971/1987. Em 1998, relançou uma série de títulos antigos, em CDs avulsos e de capas uniformizadas por horrendas molduras de tom ocre.
O projeto atual é mais ambicioso. ”Estamos falando de um total de 58 títulos, sendo 30 deles inéditos em CD”, afirma o gerente de marketing estratégico da Sony, Bruno Batista. “São 15 títulos que só existiam em LP e outros 15 CDs com cerca de 16 faixas cada, que compilam todo o material lançado em 78 rpm no período de 1941 a 1960, além de 28 títulos que já estão ativos no catálogo do artista.”
A gravadora prevê o lançamento em CDs avulsos, neste segundo semestre, em cronograma ainda não definido. “Chegamos a cogitar o lançamento de uma bela caixa, mas o preço final tornou o projeto inviável. A confirmação de data ainda depende de algumas questões jurídicas”, diz Bruno.
O acesso à totalidade da obra de um dos artistas mais importantes da história musical brasileira manteve-se interditado até o advento da internet e da famigerada inimiga oficial da indústria do disco, a pirataria. Trabalho há 18 como jornalista musical, e só recentemente tive acesso à maioria dos discos de 78 rpm da fase inicial do artista ou a grande parte de seus LPs nos anos 1970, graças às meticulosas séries de downloads disponibilizados por fãs do inventor do forró em blogs e sites de compartilhamento.
A Sony, evidentemente, não desconhece o atraso da reposição oficial da obra fundadora em relação à (única e clandestina) alternativa de acesso encontrada pelos admiradores nos muitos anos desde a morte de Gonzaga. Pergunto a Bruno se a Sony está se utilizando do manancial de informação sonora “ilegal” para elaborar a reedição oficial.
“Com a entrada do iTunes e demais plataformas para venda de download, a Sony tem investido no segmento para que todo seu conteúdo seja oferecido com a melhor qualidade, preços competitivos e formatos inéditos para o consumidor”, esguia-se, diplomaticamente. “Luiz Gonzaga terá uma estreia de rei no meio digital.” A boa notícia extra está embutida nessa última afirmação: com mais de década de atraso, o rei do baião debutará oficialmente no formato digital.
(Leia mais sobre a reedição da obra integral de Luiz Gonzaga em “ABC de Gonzagão”.)
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Tags:Bruno Batista, Luiz Gonzaga, Sony Music



vo baixar tudinho
‘sendo 30 deles inéditos em CD”
Sera que tem alguma faixa inedita, que nunca foi lançada ??
Desde Venezuela, apoyamos de corazón esta iniciativa. Viva el Rey Gonzaga!!